Crítica

Flanelinhas

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Guardador de carro, vulgo Flanelinha.
Oficializaram a profissão do flanelinha no intuito de ajudá- los e organizar e manter as vagas de acordo com as leis de trânsito, trazendo mais um serviço para a população. Será?

A denominação “flanelinha” faz menção à flanela (tecido felpudo) que muitos destes trazem a mão para facilitar a sua identificação pelos motoristas. Atualmente o termo é comumente empregado para referir-se aos guardadores que atuam em desacordo com os ditames legais e são habituais praticantes de abusos, os quais se tornaram um grande problema nos centros urbanos.

Em Portugal o flanelinha é conhecido como “arrumador de carros” ou simplesmente “arrumador”. Na Espanha a figura é denominada “aparcacoches ilegales”, sendo ainda apelidada de “gorrillas”“. Esse países (e muitos outros) também enfrentam, como o Brasil, inúmeros inconvenientes decorrentes da atividade, que já se tornou uma questão de segurança pública em razão de sua constante associação com outras formas de delinquência.

Segundo o jornal O Globo, a atividade de guardador de veículos no Brasil teve origem no governo de Getúlio Vargas com o objetivo de dar emprego aos ex-combatentes (pracinhas) que
retornavam ao país sem qualquer ocupação . Tratou-se de uma medida populista típica da política trabalhista deste ex-presidente que, justamente por ações como essa, era chamado por seus simpatizantes de “pai dos pobres”.

Apesar de bem intencionada, a medida não levava em conta as implicações negativas advindas da criação deste novo ofício. Para dar solução a um problema imediato específico, criou-se uma atividade que sequer se fazia necessária e que, a longo prazo, contribuiu para o incremento da sensação de insegurança nas grandes cidades. Os objetivos iniciais da criação do ofício não foram atingidos visto que não foram os heróis de guerra que o exerceram, mas sim toda sorte de desempregados, crianças, delinquentes habituais e os moradores de rua.

No Rio foram legalizados alguns guardadores e outros contratados para prestar serviço junto aos cidadãos em nome da prefeitura Municipal. Não adiantou nada, pois se transformou em um comércio ilegal de Vagas.. Hoje tem gente vendendo ” ponto” por 15 mil reais. Existe uma tabela onde a pessoa pode sublocar sua” Rua de trabalho” cobrando até R$ 70,00 por dia. Da para acreditar?

A bagunça esta instaurada na cidade. A lei da selva ainda prevalece nas vagas certas. Não temos garantia contra roubo, furto, arranhões e amassados. Somos extorquidos diariamente , em alguns lugares temos que pagar duas vezes pela vaga, mesmo ela sendo por período integral, não podemos sair e retornar usando o mesmo bilhete, de acordo com o flanelinha – “se usar mesmo talão quebra chefia, este bilhete é do outro rapaz”.

A malandragem corre souta, as artimanhas cada vez mais escrachadas, tamanha a impunidade. Para tirar proveito do ” cargo” flanelinha do governo, cada dia tem uma novidade.

O talão tem que ser preenchido na hora pelo embaixador do local, vulgo guardador, mas o que acontece é diferente , o talão já vem preenchido com outra placa, dia e hora, aí de você se reclamar. Esta malandragem sai cara pois o guarda multa ao constatar que o talão não pertence aquela placa.

A cara de pau não acaba aí, quando estamos saindo ainda somos coagidos a entregar a folhinha usada ou a re-reaproveitada: ” vai usa a folhinha aí tio?”.

Os serviços oferecidos não acabam,é lavagem de carro, pacote semanal, planos de vagas mensal, parece ate pacote de operadora de celular. E o troco então? Se eu pudesse ajudar com um conselho seria : ” tenha sempre dinheiro trocado”, pois eles sempre ficam te devendo um real ou mais, pois nunca tem troco.

As ruas se transformaram em territórios sem lei, ou melhor com leis próprias , lei da selva. Os direitos são dados e transformados de acordo com a necessidade deles, mas e os deveres que eles deveriam ter conosco? São simples estes direitos, não queremos muito, que tal eles pelos menos não deixar sentarem no capo do carro, não parar os carros grudados um no
outro, não colocar copos de cerveja no aerofólio, ajudar na entrada e saída das vagas.

É pedir muito??

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3 comentários em “Flanelinhas

  1. Flanelinha – emprego, ocupação ou bico? Acredito que nenhuma das alternativas está correta. Embora, em todas as grandes cidades brasileiras essa “praga” seja a mesma, de uma para outra, com pequenas variações em termos de regulamentação, aqui no Distrito Federal, alguns recebem jalecos identificando-os. Não se trata de emprego, ante a falta de formalidade e/ou vínculo empregatício; não se trata de ocupação porque esta não se acha regulamentada em termos também de formalidade vinculada à obrigatoriedade de recolhimento previdenciário, aí, resta apenas a última alternativa – BICO – e nem mesmo essa se caracteriza porque, BICO está relacionado a uma profissão ou ofício e, como tal, regulamentada, marceneiro, serralheiro, pedreiro, etc, apenas fora da formalidade temporariamente e, FLANELINHA, pelo menos, até agora, não é e nunca foi OCUPAÇÃO, vez que cada um age da maneira que melhor lhe aprouver e, assim sendo, “vale tudo”, nos exatos termos já colocados pelo autor. O poder público finge que está agindo, a população finge que acredita e os FLANELINHAS… estes sim, não fingem nada, sabem, têm certeza e “ACREDITAM” que estão com tudo e “reinam” absolutos e…os proprietários de veículos, legítimos coitados, verdadeiras vítimas dessa “armadilha espoliativa oficiosa”, pagam seu quinhão, rogando a Deus, no final do expediente, que seu carro ainda esteja no local onde o deixou, sem arranhões e ileso de total ou parcial depenamento, já que esse “servicinho” não lhe garante o mínimo sequer de segurança para o seu carro. Um dia, quem sabe, tudo isso mudará e as coisas, realmente, melhorem nesse sentido.

  2. A “praga” a que me referi não tem nada a ver com as pessoas envolvidas, que merecem todo o nosso respeito, esqueci-me de esclarecer e sim, ao verdadeiro estado de coisa que se espalhou sem controle por todo o país, principalmente, nas cidades de grande e médio portes, entendam bem. LMA.

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